quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

Parte 2 - O Reino que se Faz ao Caminhar

 Série de mensagens sobre a transfiguração de Jesus:(Mateus 17:1-9, Marcos 9:2-8 e Lucas 9:28-36)

“... e os levou, em particular, a um alto monte. Ali ele foi transfigurado diante deles. ”
(Mt. 17.1b-2a)

Na religião, todo relevo tem um significado para a espiritualidade; montes, montanhas e vales.

Quem subia em um monte ou escalava uma montanha queria ficar mais perto de seus deuses. Vemos, curiosamente, a construção de uma torre em Genesis 11 para que os seres humanos ficassem no alto e assim fossem considerados deuses. Na história das monarquias de Israel é recorrente o povo subir até aos montes para realizar cultos e adoração a Baal, Ishtar e a baalins. A altura de um monte determinava o quanto mais próximo o fiel estava próximo de seu deus. Na religião judaica tal coisa também se dava; por exemplo, o encontro de Moisés com Deus no monte Sinai, Elias no monte Carmelo. Alguns montes se tornaram conhecidos como lugares de acertos de conta e tratados com a Divindade (monte das Oliveiras), monte Ebal (maldição) e Gerizim (benção). O monte do templo chamado de Monte Sião era conhecido como monte da adoração.

No Novo Testamento vemos Jesus subir aos montes para orar e fugir das multidões. Sobe aos montes para ensinar e aqui chama amigos próximos para mostrar a Sua glória a eles.
Ele os levou em particular. Levou-os sem alardes, nem anúncios prévios. Não tornou conhecido a todos os seus discípulos. Levou-os para que o conhecessem melhor. Jesus foi até o Monte Hermon e, é nesse monte pertencente as colinas de Golan, que nascia o rio Jordão e se demarcava os limites do reino davídico expandido e o mundo gentio. Nesse monte havia um altar ao deus romano Pan. Os romanos criam que ali havia uma fonte de Pan que era geradora e mantenedora da vida de seus rebanhos e povoados. Contudo, os romanos assentados naquela região eram célebres “ladrões de água” das cidades e vilarejos judaicos. Eles a desviavam através de aqueodutos ocultos e encanamentos secretos. Jesus não veio afrontar aos romanos, embora fosse muito significativo Ele vir até ali e se transfigurar.

Ele vem revelar a verdade. Ele não precisou quebrar nenhum altar pagão, ainda que como judeu era impensável que fosse tolerante a isso. Sua permanência na fronteira do Reino Davídico Expandido com a Síria, e em um lugar de culto romano, é profética. Jesus faz toda uma excursão por terras que não pertenciam ao reino de Israel em sua época, mas que pertenceram ou que são designadas nas profecias e nos livros históricos (II Sm. 8.1; Js. 13.4-5; Js. 11.8; Jz.3.3; Nm.34. 7-9; Ez.47.15) como terras que seriam de Israel.

Ele faz um tipo de marcha da conquista, empreende uma caminhada profética rememorando Abraão (Mc. 7.24, 31; 8.27; 9.2), tem seus escolhidos, sua missão de restauração e seu reino. Por fim, Ele coloca em xeque todo o aparato religioso romano, depõe Pan e seus adoradores. Depõe o reino e o domínio romano, simbolicamente. Ele é o Filho de Deus que era figura conhecida por romanos e judeus em suas religiões, cada uma com sua concepção particular e complementares, porém.

O monte Hermon foi escolhido porque Cristo veio anunciar o Seu Reino, reafirmar o Seu domínio sobre toda a Criação e demarcar simbolicamente um novo tempo de conquistas.

Jesus exercia seus ensinos e discipulado enquanto andava e se relacionava com seus discípulos. Seu ministério era chamado de peripatético porque era feito enquanto andava e vivia a vida comum, conforme os grandes filósofos antigos como Sócrates e Platão.

Assim, aqui no texto, vemos que Ele determinou um tempo; Ele está ali e Ele É. Determinou um lugar no meio dos seus discípulos; Ele escolheu os mais próximos para estar e pertencer a eles como Nova Revelação de Deus. Determinou um meio de se tornar conhecido; pela fé e por testemunho das profecias de Elias e as leis de Moisés.

 Mas, isso tudo, continua sendo um convite do Mestre, continua sendo um estar próximo Dele. Continua sendo um mysterium tremendum et fascinorum.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

PARTE 1 - Os Amigos de Jesus


 Série de mensagens sobre a transfiguração de Jesus:(Mateus 17:1-9, Marcos 9:2-8 e Lucas 9:28-36)
Seis dias depois, tomou Jesus consigo a Pedro, e a Tiago, e a João, seu irmão, e os conduziu em particular a um alto monte, Mt. 17.1


 Todas as pessoas  escolhem  seus amigos de maior proximidade, seus melhores amigos/amigas e, embora não seja necessário romper com os outros, nem os maltratar, seguem escolhendo e sendo escolhidos suas amizades e relacionamentos.
Jesus escolheu a Pedro, Tiago e João para viverem esse e outros momentos únicos com ele (Mt. 5.37; Mc.14.33; Mt. 17.1 e seus correlatos). Eram eles pescadores, eram simples e rudes pescadores que o seguiam desde Cafarnaum. E eram também, todos os três, altamente influentes e de personalidades ímpares.

Pedro  
Era explosivo e espontâneo, dava voos de águia (Mt. 16.15-19; Atos 2.14-40) e de martim-pescador (Mt. 16.21-28; Jo. 18.10-11; Gl. 2.11-21). 
Tiago e João 
Eram irmãos, filhos de Zebedeu e eram filhos "mimados da mamãe" (Mt. 20.20-21) e incrivelmente ambiciosos e irados (Mt. 3.17; Mc. 10.35-41; Lc. 9.54-56).
Tiago foi o primeiro apóstolo a morrer (At. 12.1-2), talvez por ser muito impetuoso e ousado, por ser o discípulo que mais se encaixava no epíteto de "filho do trovão".
João foi o único apóstolo a não sofrer uma morte violenta, embora isso não fora uma vantagem para ele (Jo. 21.21-23; Jo. 1.1: Ap. 1.9).

Jesus escolheu seus discípulos pessoalmente, mas também era fundamental ser escolhido por eles, ser a cada dia as suas escolhas pessoais; era necessário a revalidação da relação de amigos que compartilhavam a mesa, a caminhada e o Caminho.
          Ele disse a seus discípulos,


Não me escolhestes vós a mim, mas eu vos escolhi a vós, e vos nomeei, para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça; a fim de que tudo quanto em meu nome pedirdes ao Pai ele vo-lo conceda. Jo. 15.6
Ele conhecia-os antes de convídá-los, 

Andando à beira do mar da Galiléia, Jesus viu dois irmãos: Simão, chamado Pedro, e seu irmão André. Eles estavam lançando redes ao mar, pois eram pescadores. É disse Jesus: "Sigam-me, e eu os farei pescadores de homens". Mt. 4.18-19
          Os chamados também respondiam com suas atitudes a Seu chamado,
Eles então arrastaram seus barcos para a praia, deixaram tudo e o seguiram. Lc. 5.11
Ele reavaliava seus discípulos,
Jesus perguntou aos Doze: "Vocês também não querem ir? Simão Pedro lhe respondeu: "Senhor, para quem iremos? Tu tens as palavras de vida eterna.Nós cremos e sabemos que és o Santo de Deus".Então Jesus respondeu: "Não fui eu que os escolhi, os Doze? Todavia, um de vocês é um diabo! "( Ele se referia a Judas, filho de Simão Iscariotes, que, embora fosse um dos Doze, mais tarde haveria de traí-lo. ) 
Jo.6.67-71

       Jesus, indubitavelmente, escolheu a esses discípulos para presenciarem algo único, algo que Ele não queria que “vazasse” antes do tempo e que fosse feito uma leitura correta do que houvesse ali, mesmo havendo sustos e temores no meio deles.Não escolheu os melhores, não escolheu os mais santos e piedosos. Escolheu gente de seu relacionamento próximo, de sua intimidade.

    Escolheu-os por confiar neles, por se proporem a segui-lo até o fim. Pedro e Tiago partiram cedo glorificando a Jesus com as suas vidas vividas para Ele. João serviu a Cristo até o seu corpo ceder ao tempo e as falências somáticas da existência.

     Amigo de Cristo é aquele que vai até o fim. Mesmo caindo e se levantando como Pedro. Tendo rompantes de fúria e zelo religioso como Tiago; se arrependendo e dando a vida pelo seu Senhor. Como João que viveu a Cristo e em Cristo até seu último órgão parar. Jesus mostrou-nos toda a sua amizade, seu amor e a intensidade da nossa resposta selará nossa proximidade com Ele; como seus discípulos e amigos.

Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a sua vida pelos seus amigos.
 Jo.15.13 



Um deles, o discípulo a quem Jesus amava, estava reclinado ao lado dele.
 Jo. 13.23


Já não os chamo servos, porque o servo não sabe o que o seu senhor faz. Em vez disso, eu os tenho chamado amigos, porque tudo o que ouvi de meu Pai eu lhes tornei conhecido. 
Jo. 15.15 


Jesus amava Marta, a irmã dela e Lázaro.
 Jo. 11.5 


Então os judeus disseram: "Vejam como ele o amava! "
Jo.11.36 


"Como o Pai me amou, assim eu os amei; permaneçam no meu amor. 
Jo. 15.9 







terça-feira, 4 de outubro de 2016

Curados Para Servir VI

   Algumas vezes, sem aviso algum, tentamos desconstruir algo que não conhecemos ou conhecemos bem pouco. Baseamos nossas opiniões no senso comum, em visões distorcidas e viciadas, sempre mais do mesmo. A igreja é assim, muitas vezes, injustiçada e muitos de seus críticos internos parecem não saber o que ela seja.

    A igreja enquanto realidade é projeto de Deus e custou muito caro a sua implementação. 

 "Cuidai pois de vós mesmos e de todo o rebanho sobre o qual o Espírito Santo vos constituiu bispos, para apascentardes a igreja de Deus, que ele adquiriu com seu próprio sangue." Atos 20:28

 "Sabendo que não foi com coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados da vossa vã maneira de viver, que por tradição recebestes dos vossos pais, mas com precioso sangue, como de um cordeiro sem defeito e sem mancha, o sangue de Cristo," 1 Pedro 1:18-19 

    O preço foi alto e o valor da igreja para Deus e a sua missão no mundo é única. 

 "Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as grandezas daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz; vós que outrora nem éreis povo, e agora sois de Deus; vós que não tínheis alcançado misericórdia, e agora a tendes alcançado." 1 Pedro 2:9-10 

    Uma das primeiras atitudes do cristão é saber reconhecer o valor da sua comunidade. Ela não existe pelo esforço de gente que queria ter um lugar para ir no final de semana, mas existe como manifestação do amor de Deus através de Jesus (Jo. 3.16). Entender a origem da igreja é olhar para além do tempo quando Deus ainda projetava seus planos (Ef. 1) e nela a criação será redimida (Rm. 8.19-22). 

O sábio Salomão escreveu em Pr. 1.7 que "o temor ao Senhor é o princípio da sabedoria" e é exatamente esse sentimento e atitude de reverência e temor a Deus (que é o Senhor da Igreja) é o que deve permear e transbordar quando se trata de propor novos paradigmas a sua membresia e liderança (ICo. 3. 16, 17). 

    A Noiva não é minha nem sua! Somos amigos do Noivo apenas. Então, nos alegremos muito em sermos os convidados e responsáveis pelo casamento de todos os tempos! 

 "Regozijemo-nos, e exultemos, e demos-lhe a glória; porque são chegadas as bodas do Cordeiro, e já a sua noiva se preparou, e foi-lhe permitido vestir-se de linho fino, resplandecente e puro; pois o linho fino são as obras justas dos santos." Apocalipse 19:7-8 

    Depois de vermos e sentirmos o valor, de restaurarmos o temor em falar daquilo que Deus ama, com muito cuidado e delicadeza proporemos esta ou aquela mudança, de acordo com o Espírito Santo de Deus.

"Não por força nem por violência, mas sim pelo meu Espírito, diz o Senhor dos Exércitos." Zacarias 4.6b

terça-feira, 27 de setembro de 2016

Curados para Servir V

A resposta que o apóstolo Paulo deu ao questionamento de seu ministério à igreja de Corinto em sua segunda carta, é uma flagrante declaração de amor a essa comunidade:
 “Eu de muito boa vontade gastarei, e me deixarei gastar pelas vossas almas, ainda que, amando-vos cada vez mais, seja menos amado. ” 2 Co. 12. 15
Ele fora desprezado e caluniado e continuará amando mais; e melhor! Sacrificara-se muito e ainda se sacrificará mais! Amou profundamente e continuará; e não está esperando muito amor de volta como retribuição, ainda que fosse justo requerê-lo,
“Não devam nada a ninguém, a não ser o amor de uns pelos outros, pois aquele que ama seu próximo tem cumprido a Lei, ” (Rm. 13. 8)

O apóstolo nos fala de sacrifícios cada vez maiores, de uma cruz mais pesada para carregar. Fala da sua alegria em sofrer por Cristo, em ser consumido na Sua obra (cf. At. 5.41; IICo. 4.17). De não esperar o amor como paga por sua dedicação sacrificial amorosa, ainda que o seu propósito seja despertar os cristãos coríntios à gratidão e ao respeito quanto ao seu ministério (2Co. 4).

Toda carta de Paulo aponta problemas nas igrejas destinatárias, aponta para as agruras do seu ministério cristão e da dificuldade de viver a fé em Cristo. 
“E também todos os que piamente querem viver em Cristo Jesus padecerão perseguições.2Tm. 3.12

Muitos cristãos deixaram de ser ativos nas suas igrejas, pararam a luta no meio porque sentiram-se rejeitados e desrespeitados por pessoas que deveriam ser mais gratas. Outros, após muitas decepções com líderes e comunidades. Contudo, estar a serviço do Mestre é ter uma nova mentalidade:
"Mas em nada tenho a minha vida como preciosa para mim, contando que complete a minha carreira e o ministério que recebi do Senhor Jesus, para dar testemunho do evangelho da graça de Deus." At. 20. 24
Estar a serviço do Senhor e dar a vida com alegria pelo Evangelho da graça de Deus,
E também nos alegramos nos sofrimentos, pois sabemos que os sofrimentos produzem a paciência, Rm. 5.3
13 Mas alegrem-se à medida que participam dos sofrimentos de Cristo, para que também, quando a sua glória for revelada, vocês exultem com grande alegria. IPe. 4.13

 Esta era toda a missão da igreja primitiva. Não estavam procurando um grande pregador, um culto"inspirador", milagres, bênçãos, prosperidade, a "doutrina correta", embora tais sinais aconteciam a medida que seguiam proclamando o Evangelho (Mc. 16. 15-18). Procuravam servir a Cristo, imitar a Sua vida, morrer para o mundo e viver para Deus (Gl. 2. 19, 20; IICo. 4. 18). Estavam curados e serviam alegremente.
"Alegrai-vos sempre no Senhor. Repito: alegrai-vos!" Fl.4. 4


quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Curados para Servir IV


Uma vitória retumbante de Israel, difícil de ser digerida pelo faraó. A terra sofreu e os egípcios perderam milhares de animais, plantações, familiares e amigos  nas pragas, principalmente na última, e ainda, perderam milhares de soldados engolidos pelo Mar Vermelho. Do lado hebreu porém, havia festa e dança. Música e poesia exalavam de Miriã e um sentimento de alegria, triunfo, esperança e proteção é notório naquele povo acampado na praia.
"Então Miriã, a profetisa, irmã de Arão, tomou na mão um tamboril, e todas as mulheres saíram atrás dela com tamboris, e com danças." Ex. 15.20
    Vem a ordem "Marchem!" e os israelitas percebem logo a dificuldade do avanço.
"Depois Moisés fez partir a Israel do Mar Vermelho, e saíram para o deserto de Sur..." Ex. 15.22a
    Sol, sede, fome, desorientação, animais peçonhentos e demônios (na tradição judaica este é o lugar que habitam). E Deus os prova no deserto.
"...caminharam três dias no deserto, e não acharam água." Ex. 15.22b
    Falta água e o que encontram são águas amargas, impróprias para o consumo humano.
"E o povo murmurou contra Moisés, dizendo: Que havemos de beber?" Ex. 15.24
    Esta geração que atravessou o Mar Vermelho a pés enxutos, não pensa como gente de fé, que confia em Deus e, não obstante a isso, Deus opera mais um milagre, transformando águas amargas em água potável. Sabemos que essa geração, a Geração da Travessia, morrerá toda no deserto, com exceção de Josué e Calebe no transcorrer do êxodo.  
    Paradoxalmente, a Geração da Travessia deu a vida a Geração da Conquista e as rebeldias e debilidades do povo hebreu foram curadas com o remédio que Deus ainda usa hoje: O Deserto.
Esse povo curado de si mesmo, expurgado de suas inconsistências e animosidades, foi curado no deserto para servir a Deus e preparar um novo tempo para o mundo. E apesar deles, os planos de Deus não foram frustrados, nem atrasou a sua conclusão. Deus utiliza nossas vacilações e infidelidades como preparação para uma nova geração de crentes e de uma nova manifestação do Seu Espírito. 
     A mornidão da igreja só serve para aumentar o anseio para a volta de Jesus! A sua impureza só faz aumentar o clamor pelo Santo de Deus! A injustiça e o desamor faz crescer a expectativa de um Reino de Justiça e Amor! Sua apostasia e incredulidade revela os fiéis e os verdadeiros adoradores!
    Somos curados de nós mesmos para servirmos aos propósitos eternos de Deus. Ele não depende da fidelidade de uma geração para cumprir a Sua vontade, mas se formos obedientes será manifesta ainda mais a Sua graça:
"E se a sua queda é a riqueza do mundo, e a sua diminuição a riqueza dos gentios, quanto mais a sua plenitude!" Rm. 11.12


terça-feira, 20 de setembro de 2016

Curados para Servir III

Na carta de Tiago capítulo 5, do  versículo 16 ao 18, lemos sobre sermos curados porque confessamos os pecados e oramos. contudo, tal prática em mundo que superestima a individualidade e a privacidade, não é de prática simples.
No versículo 16, temos dois verbos no modo imperativo que, costumeiramente passam desapercebidos pelo cristão: “confessai”; e “orai”. 

"16 Confessai, portanto, os vossos pecados uns aos outros, e orai uns pelos outros, para serdes curados"

Ele associa confissão de pecados à oração. Mas, faz isso num contexto de relacionamento interpessoal e de confiança “os vossos pecados uns aos outros”. 

Para aprendermos melhor:

Confessar o quê? Os pecados! A quem? A Deus? Não! Uns aos outros! E o quê mais devo fazer? Orar. Sozinho? Não! Confessar os pecados uns aos outros e orar um pelos outros! 
E por quê devo fazer isso, me expor a tanto? Para serem curados, você e a outra pessoa! 
Em seguida, Tiago fala do poder da oração na vida de um justo. Mostra como exemplo, o profeta Elias. Ele orou e não mais choveu. Orou de novo, três anos e meio depois pedindo chuva, e choveu!

A oração é arma poderosa, todavia deve ser acompanhada de caráter moral para promoção da cura. De sinceridade e compromisso com o que se ora. Tiago escreve sobre pedir e não receber (Tg. 4.3) e aqui, no v.16, o companheiro de oração deve ser justo, de caráter confiável e sincero.

"A oração de um justo é poderosa e eficaz."

A cura vem da confissão e da oração de gente que ama e obedece ao Senhor. Que se deixa tocar pelo Espírito Santo de Deus todos os dias! Que como Elias, está em conformidade com os planos e propósitos de Deus em sua vida e para a sua época. Não choveu porque Elias quis; não choveu porque Deus quis. Choveu finalmente, não porque Elias quis, mas porque Deus quis. 

Elias era homem sujeito às mesmas paixões que nós, e orou com fervor para que não chovesse, e por três anos e seis meses não choveu sobre a terra.
E orou outra vez e o céu deu chuva, e a terra produziu o seu fruto.
Tiago 5:17,18

Você receberá a cura, mas porque Deus quer. Seja qual for o plano de Deus, Ele te revela e te fortalece em meio a confissão e oração. E se a sua comunidade ora junto, então é sarada todos os dias de si mesmo e do mundo e das doenças que a cercam.

domingo, 18 de setembro de 2016

Curados para Servir II

Vejo muita gente doente, sofrendo no corpo e na mente as dores de desavenças em palavras, de más compreensões ou mesmo de sentimento de rejeição ao ouvirem determinadas asseverações. E assim, se instalam doenças psíquicas, psicossomatismos, iras e intolerância com coletividades ou mesmo com algum segmento social. Com orgulho ferido, não buscam ajuda, pois como podem se sujeitar ainda mais, reconhecer a dor e a própria fragilidade, “ou pior”, seu próprio erro?
Mesmo enterrando a dor sob inúmeras camadas de aparente frieza e indiferença, o “túmulo da dor” exala um odor fétido que não pode mais ser ignorado e o corpo doe, a mente e o coração protestam.
Orar ou não, ler a bíblia ou apenas ficar quieto, mudar de igreja ou “se desviar”, fingir ser uma pessoa inabalável, não trarão melhoras e as emoções cobrarão o preço, por fim.

“Dentro de mim derramo a minha alma ao lembrar-me de como eu ia com a multidão, guiando-a em procissão à casa de Deus, com brados de júbilo e louvor, uma multidão que festejava. Por que estás abatida, ó minha alma, e por que te perturbas dentro de mim?... Ó Deus meu, dentro de mim a minha alma está abatida ... todas as tuas ondas e vagas têm passado sobre mim. ” Salmos 42. 4, 5a, 6a, 7b.
“Todos os dias torcem as minhas palavras; todos os seus pensamentos são contra mim para o mal. ” Salmos 56:5
Quer se haver em paz com o seu passado? Olhar com nova disposição para a Vida? Enfrentar o próprio orgulho e vencê-lo é o maior triunfo de um ser humano. E está um grande desafio:
Comece abdicando de toda vitimização e assuma o fato que você, ao menos, foi imprudente (e o preço de ser imprudente pode ser muito doloroso).
“Há um caminho que ao homem parece direito, mas o fim dele conduz à morte. ” Provérbios 14:12
Um outro fato precisa ser reconhecido: Você precisa de ajuda. Então, procure ajuda!
Um pastor, um conselheiro, um terapêutica que tenha princípios comuns aos seus. Deus têm a cura em suas mãos, têm as bênçãos na Sua mão, mas espera que você venha buscá-las. Deixar uma parte do que você chama de “mim mesmo” é o começo da terapia (grego terapeuo, cura). Deus faz várias promessas de cura na Sua Palavra:
“Eis que lhe trarei a ela saúde e cura, e os sararei, e lhes manifestarei abundância de paz e de segurança.
E farei voltar do cativeiro os exilados de Judá e de Israel, e os edificarei como ao princípio. E os purificarei de toda a iniquidade do seu pecado contra mim; e perdoarei todas as suas iniquidades, com que pecaram e transgrediram contra mim. ” Jeremias 33:6-8

“Se vocês derem atenção ao Senhor, o seu Deus, e fizerem o que ele aprova, se derem ouvidos aos seus mandamentos e obedecerem a todos os seus decretos, não trarei sobre vocês nenhuma das doenças que eu trouxe sobre os egípcios, pois eu sou o Senhor que os cura. ” Êxodo 14.26
Aí você poderá cantar como Davi:
“Ó Senhor, Deus meu, a ti clamei, e tu me curaste.
Senhor, fizeste subir a minha alma do Seol, conservaste-me a vida, dentre os que descem à cova.
Tornaste o meu pranto em regozijo, tiraste o meu cilício, e me cingiste de alegria;
para que a minha alma te cante louvores, e não se cale. Senhor, Deus meu, eu te louvarei para sempre. ” Salmos 30:2-3,11-12

“Eu mesmo apascentarei as minhas ovelhas, e eu as farei repousar, diz o Senhor Deus.
A perdida buscarei, e a desgarrada tornarei a trazer; a quebrada ligarei, e a enferma fortalecerei; e a gorda e a forte vigiarei. Apascentá-las-ei com justiça. “
Ezequiel 34:15-16





terça-feira, 3 de maio de 2016

Pensando Deus, Fé e Ciência

A fé cristã é uma cosmovisão, não um rito, ainda que este é expressão desta. Não tem um único lugar para ser, mas é e se faz em todos os lugares. A pessoa apreende o ser novo a partir da sua interioridade e já é nova pessoa. 
As conquistas tecnológicas e o pensamento instrumental são excelentes ferramentas de percepção e transformação da realidade, mas o pensar técnico é somente parte da razão ontológica, que não apenas é cognição, mas também distanciamento e paixão; objetivação e subjetivação; praticismo e teoria. A ciência com seu discurso cognitivo e técnico nos mostra que um deus que se confunde ou perde espaços aonde a instrumentalidade da razão avança é menos do que Deus. Aponta para um ser enquanto soma de todas as nossas aspirações humanas e que agora é descartável. E de modo algum tal constatação abala a fé. O cristão responde com um "muito obrigado" e segue crendo. Se livra de um ídolo do pensamento (Bacon).
Assim, para iniciarmos a conversa sobre fé em nossas igrejas seria necessário demonstrar que o Deus que temos professado, a razão positivista e o pensamento técnico-científico não O pode apreender. Ao mesmo tempo, é preciso reconhecermos a insuficiência ontológica em compreendê-lo satisfatoriamente. Ele se percebe e se experimenta na apreensão do próprio mistério da vida, como um signo aberto, que traz significado a existência. Que não se esgota em discursos, institucionalizações, reducionismos lógicos ou teológicos. Que está para além. Que se pensa e se conhece desconsêtruindo-se o nosso modo de conhecer as coisas. Mas todo esse arrazoamento, é somente uma intuição de seres finitos, um palpite de (e da) fé, uma aposta que é vital e suficiente para o fiel. E basta porque nos preenche de relevância e significados para a vida.

segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Curados Para Servir à Mesa do Rei

Em um texto curto de Marcos (1. 29-31) a sogra de Pedro estava febril e foi curada por Jesus. Na antiguidade, estar com febre era realmente preocupante. Não é doença, é sintoma, prenúncio de que  aquela casa teria uma luta árdua pela vida.
Àquele tempo, a febre poderia estar indicando a brucelose (febre de Malta), febre tifóide ou malária. Eram doenças comuns na região devido às enchentes do Jordão, a má alimentação e higiene precária.
Jesus chega a hora do almoço e para aquela mulher, os sinais do corpo não eram bons. Falaram dela a Jesus e ele veio para junto dela, no seu quarto, lugar privado aonde um homem não poderia estar, segundo as normas sociais vigentes. Ele se aproxima e pega em suas mãos e a levanta. Jesus vai ao seu encontro e a cura. Saiu de sua prostração e letargia e juntou-se aos visitantes. Pode servir, agora. Servir era só para discípulos, privilégio deles. Não estamos no mundo ultramoderno e a mulher não podia servir a mesa, era função e mérito de homens. Jesus a promove a discípula.
Só quem chegou próximo a Ele vive a Vida. Só quem foi tocado por Ele entende Seu amor. Só quem foi levantado por Ele pode e sabe servir.
Não basta querermos servir, sermos úteis a Deus. Antes de servirmos é preciso que Ele nos cure.

Pense ainda:
Antes de proclamarmos a Palavra é necessário conhecê-la,  antes de nos lançarmos a missão é imperativa a transformação, a cura até de nós mesmos.


"Estando com eles, ordenou-lhes que não se ausentassem de Jerusalém, mas que esperassem a promessa do Pai, a qual (disse ele) de mim ouvistes.
Porque, na verdade, João batizou em água, mas vós sereis batizados no Espírito Santo, dentro de poucos dias.
Mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém, como em toda a Judéia e Samária, e até os confins da terra." (At. 1.4, 5 e 8)
Servir a Deus é para discípulos e discípulas que cheios de gratidão e do poder do Espírito estão a mesa do Rei.