terça-feira, 3 de maio de 2016

Pensando Deus, Fé e Ciência

A fé cristã é uma cosmovisão, não um rito, ainda que este é expressão desta. Não tem um único lugar para ser, mas é e se faz em todos os lugares. A pessoa apreende o ser novo a partir da sua interioridade e já é nova pessoa. 
As conquistas tecnológicas e o pensamento instrumental são excelentes ferramentas de percepção e transformação da realidade, mas o pensar técnico é somente parte da razão ontológica, que não apenas é cognição, mas também distanciamento e paixão; objetivação e subjetivação; praticismo e teoria. A ciência com seu discurso cognitivo e técnico nos mostra que um deus que se confunde ou perde espaços aonde a instrumentalidade da razão avança é menos do que Deus. Aponta para um ser enquanto soma de todas as nossas aspirações humanas e que agora é descartável. E de modo algum tal constatação abala a fé. O cristão responde com um "muito obrigado" e segue crendo. Se livra de um ídolo do pensamento (Bacon).
Assim, para iniciarmos a conversa sobre fé em nossas igrejas seria necessário demonstrar que o Deus que temos professado, a razão positivista e o pensamento técnico-científico não O pode apreender. Ao mesmo tempo, é preciso reconhecermos a insuficiência ontológica em compreendê-lo satisfatoriamente. Ele se percebe e se experimenta na apreensão do próprio mistério da vida, como um signo aberto, que traz significado a existência. Que não se esgota em discursos, institucionalizações, reducionismos lógicos ou teológicos. Que está para além. Que se pensa e se conhece desconsêtruindo-se o nosso modo de conhecer as coisas. Mas todo esse arrazoamento, é somente uma intuição de seres finitos, um palpite de (e da) fé, uma aposta que é vital e suficiente para o fiel. E basta porque nos preenche de relevância e significados para a vida.