quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

Parte 2 - O Reino que se Faz ao Caminhar

 Série de mensagens sobre a transfiguração de Jesus:(Mateus 17:1-9, Marcos 9:2-8 e Lucas 9:28-36)

“... e os levou, em particular, a um alto monte. Ali ele foi transfigurado diante deles. ”
(Mt. 17.1b-2a)

Na religião, todo relevo tem um significado para a espiritualidade; montes, montanhas e vales.

Quem subia em um monte ou escalava uma montanha queria ficar mais perto de seus deuses. Vemos, curiosamente, a construção de uma torre em Genesis 11 para que os seres humanos ficassem no alto e assim fossem considerados deuses. Na história das monarquias de Israel é recorrente o povo subir até aos montes para realizar cultos e adoração a Baal, Ishtar e a baalins. A altura de um monte determinava o quanto mais próximo o fiel estava próximo de seu deus. Na religião judaica tal coisa também se dava; por exemplo, o encontro de Moisés com Deus no monte Sinai, Elias no monte Carmelo. Alguns montes se tornaram conhecidos como lugares de acertos de conta e tratados com a Divindade (monte das Oliveiras), monte Ebal (maldição) e Gerizim (benção). O monte do templo chamado de Monte Sião era conhecido como monte da adoração.

No Novo Testamento vemos Jesus subir aos montes para orar e fugir das multidões. Sobe aos montes para ensinar e aqui chama amigos próximos para mostrar a Sua glória a eles.
Ele os levou em particular. Levou-os sem alardes, nem anúncios prévios. Não tornou conhecido a todos os seus discípulos. Levou-os para que o conhecessem melhor. Jesus foi até o Monte Hermon e, é nesse monte pertencente as colinas de Golan, que nascia o rio Jordão e se demarcava os limites do reino davídico expandido e o mundo gentio. Nesse monte havia um altar ao deus romano Pan. Os romanos criam que ali havia uma fonte de Pan que era geradora e mantenedora da vida de seus rebanhos e povoados. Contudo, os romanos assentados naquela região eram célebres “ladrões de água” das cidades e vilarejos judaicos. Eles a desviavam através de aqueodutos ocultos e encanamentos secretos. Jesus não veio afrontar aos romanos, embora fosse muito significativo Ele vir até ali e se transfigurar.

Ele vem revelar a verdade. Ele não precisou quebrar nenhum altar pagão, ainda que como judeu era impensável que fosse tolerante a isso. Sua permanência na fronteira do Reino Davídico Expandido com a Síria, e em um lugar de culto romano, é profética. Jesus faz toda uma excursão por terras que não pertenciam ao reino de Israel em sua época, mas que pertenceram ou que são designadas nas profecias e nos livros históricos (II Sm. 8.1; Js. 13.4-5; Js. 11.8; Jz.3.3; Nm.34. 7-9; Ez.47.15) como terras que seriam de Israel.

Ele faz um tipo de marcha da conquista, empreende uma caminhada profética rememorando Abraão (Mc. 7.24, 31; 8.27; 9.2), tem seus escolhidos, sua missão de restauração e seu reino. Por fim, Ele coloca em xeque todo o aparato religioso romano, depõe Pan e seus adoradores. Depõe o reino e o domínio romano, simbolicamente. Ele é o Filho de Deus que era figura conhecida por romanos e judeus em suas religiões, cada uma com sua concepção particular e complementares, porém.

O monte Hermon foi escolhido porque Cristo veio anunciar o Seu Reino, reafirmar o Seu domínio sobre toda a Criação e demarcar simbolicamente um novo tempo de conquistas.

Jesus exercia seus ensinos e discipulado enquanto andava e se relacionava com seus discípulos. Seu ministério era chamado de peripatético porque era feito enquanto andava e vivia a vida comum, conforme os grandes filósofos antigos como Sócrates e Platão.

Assim, aqui no texto, vemos que Ele determinou um tempo; Ele está ali e Ele É. Determinou um lugar no meio dos seus discípulos; Ele escolheu os mais próximos para estar e pertencer a eles como Nova Revelação de Deus. Determinou um meio de se tornar conhecido; pela fé e por testemunho das profecias de Elias e as leis de Moisés.

 Mas, isso tudo, continua sendo um convite do Mestre, continua sendo um estar próximo Dele. Continua sendo um mysterium tremendum et fascinorum.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

PARTE 1 - Os Amigos de Jesus


 Série de mensagens sobre a transfiguração de Jesus:(Mateus 17:1-9, Marcos 9:2-8 e Lucas 9:28-36)
Seis dias depois, tomou Jesus consigo a Pedro, e a Tiago, e a João, seu irmão, e os conduziu em particular a um alto monte, Mt. 17.1


 Todas as pessoas  escolhem  seus amigos de maior proximidade, seus melhores amigos/amigas e, embora não seja necessário romper com os outros, nem os maltratar, seguem escolhendo e sendo escolhidos suas amizades e relacionamentos.
Jesus escolheu a Pedro, Tiago e João para viverem esse e outros momentos únicos com ele (Mt. 5.37; Mc.14.33; Mt. 17.1 e seus correlatos). Eram eles pescadores, eram simples e rudes pescadores que o seguiam desde Cafarnaum. E eram também, todos os três, altamente influentes e de personalidades ímpares.

Pedro  
Era explosivo e espontâneo, dava voos de águia (Mt. 16.15-19; Atos 2.14-40) e de martim-pescador (Mt. 16.21-28; Jo. 18.10-11; Gl. 2.11-21). 
Tiago e João 
Eram irmãos, filhos de Zebedeu e eram filhos "mimados da mamãe" (Mt. 20.20-21) e incrivelmente ambiciosos e irados (Mt. 3.17; Mc. 10.35-41; Lc. 9.54-56).
Tiago foi o primeiro apóstolo a morrer (At. 12.1-2), talvez por ser muito impetuoso e ousado, por ser o discípulo que mais se encaixava no epíteto de "filho do trovão".
João foi o único apóstolo a não sofrer uma morte violenta, embora isso não fora uma vantagem para ele (Jo. 21.21-23; Jo. 1.1: Ap. 1.9).

Jesus escolheu seus discípulos pessoalmente, mas também era fundamental ser escolhido por eles, ser a cada dia as suas escolhas pessoais; era necessário a revalidação da relação de amigos que compartilhavam a mesa, a caminhada e o Caminho.
          Ele disse a seus discípulos,


Não me escolhestes vós a mim, mas eu vos escolhi a vós, e vos nomeei, para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça; a fim de que tudo quanto em meu nome pedirdes ao Pai ele vo-lo conceda. Jo. 15.6
Ele conhecia-os antes de convídá-los, 

Andando à beira do mar da Galiléia, Jesus viu dois irmãos: Simão, chamado Pedro, e seu irmão André. Eles estavam lançando redes ao mar, pois eram pescadores. É disse Jesus: "Sigam-me, e eu os farei pescadores de homens". Mt. 4.18-19
          Os chamados também respondiam com suas atitudes a Seu chamado,
Eles então arrastaram seus barcos para a praia, deixaram tudo e o seguiram. Lc. 5.11
Ele reavaliava seus discípulos,
Jesus perguntou aos Doze: "Vocês também não querem ir? Simão Pedro lhe respondeu: "Senhor, para quem iremos? Tu tens as palavras de vida eterna.Nós cremos e sabemos que és o Santo de Deus".Então Jesus respondeu: "Não fui eu que os escolhi, os Doze? Todavia, um de vocês é um diabo! "( Ele se referia a Judas, filho de Simão Iscariotes, que, embora fosse um dos Doze, mais tarde haveria de traí-lo. ) 
Jo.6.67-71

       Jesus, indubitavelmente, escolheu a esses discípulos para presenciarem algo único, algo que Ele não queria que “vazasse” antes do tempo e que fosse feito uma leitura correta do que houvesse ali, mesmo havendo sustos e temores no meio deles.Não escolheu os melhores, não escolheu os mais santos e piedosos. Escolheu gente de seu relacionamento próximo, de sua intimidade.

    Escolheu-os por confiar neles, por se proporem a segui-lo até o fim. Pedro e Tiago partiram cedo glorificando a Jesus com as suas vidas vividas para Ele. João serviu a Cristo até o seu corpo ceder ao tempo e as falências somáticas da existência.

     Amigo de Cristo é aquele que vai até o fim. Mesmo caindo e se levantando como Pedro. Tendo rompantes de fúria e zelo religioso como Tiago; se arrependendo e dando a vida pelo seu Senhor. Como João que viveu a Cristo e em Cristo até seu último órgão parar. Jesus mostrou-nos toda a sua amizade, seu amor e a intensidade da nossa resposta selará nossa proximidade com Ele; como seus discípulos e amigos.

Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a sua vida pelos seus amigos.
 Jo.15.13 



Um deles, o discípulo a quem Jesus amava, estava reclinado ao lado dele.
 Jo. 13.23


Já não os chamo servos, porque o servo não sabe o que o seu senhor faz. Em vez disso, eu os tenho chamado amigos, porque tudo o que ouvi de meu Pai eu lhes tornei conhecido. 
Jo. 15.15 


Jesus amava Marta, a irmã dela e Lázaro.
 Jo. 11.5 


Então os judeus disseram: "Vejam como ele o amava! "
Jo.11.36 


"Como o Pai me amou, assim eu os amei; permaneçam no meu amor. 
Jo. 15.9