quinta-feira, 2 de novembro de 2017

O Mau Ignorado Não É o Mau Vencido!


Atualmente, escrever sobre a ação do diabo é motivo de piada ou asseverações que culpabilizam o ser humano pelo mau no mundo. Alguns cristãos admitem uma ínfima culpa a Lúcifer, mas acusam a igreja como o local das maiores mentiras e maldades de todos os tempos.

Contudo, o cristão que conhece o texto bíblico e dele faz a sua visão de mundo, não despreza o mau, não deixa seu entendimento espiritual adormecer. 
O texto de Lucas 22.1, 2 mostra os fariseus preocupados com a ascensão popular de Jesus e procuravam um meio de detê-lo, principalmente em tempos como a concentração popular em Jerusalém para a Páscoa. Não sabiam como prendê-lo sem que a multidão se inflamasse, não  o conheciam pessoalmente muito bem para reconhê-lo e nem sabiam aonde encontrá-lo durante a noite pois, era a hora de menos pessoas nas ruas e por isso mais seguro prendê-lo. 
O texto de Lc. 22.3 diz:


 Entrou, porém, Satanás em Judas, que tinha por sobrenome Iscariotes, o qual era do número dos doze.


Satanás entrou em Judas e ele foi ao encontro dos fariseus com um endereço, uma estratégia e uma hora ideal. 

E foi, e falou com os principais dos sacerdotes, e com os capitães, de como lho entregaria; 
Os quais se alegraram, e convieram em lhe dar dinheiro. 
Lucas 22:4-5


Como diz um ditado evangélico "o diabo não brinca de ser diabo". O Acusador conhece um por um dos seus inimigos, busca auxiliares e escravos para o seu plano. Tem uma hora precisa para agir e, biblicamente, tem alguns dos seus infiltrados no meio do povo de Deus que "apontam" pessoas e tem uma estratégia perfeita para conseguir o seu intento. 
A palavra de Deus diz: 

 Sede sóbrios; vigiai; porque o diabo, vosso adversário, anda em derredor, bramando como leão, buscando a quem possa tragar; I Pe. 5.8
Satanás encontrou em Judas alguém que estava pronto para realizar parte de sua estratégia. Judas era desonesto com as ofertas recebidas, era mentiroso e estava decepcionado com o ministério de Jesus. A visão que tinha de um rei messiânico não era a que Jesus lhe fornecia. Ele queria a revolta, a revolução, o sangue dos romanos, a vingança pelos anos de opressão do governo romano. Jesus mostrou um Reino que era primeiro interior, autotransformação e, depois, mensagem viva e pregada na e pela vida dos seus discípulos. Não era um Reino belicoso, mas espiritual, amoroso. Judas decepcionou-se. Na sua frustração, o Diabo entrou e fez da sua história uma desonra completa. Talvez, recobrando a razão em seus momentos finais, o controle momentâneo, viu o que fez ao entregar a morte o melhor de todos os homens. Como nunca entendera a mensagem de Jesus nos três anos que o seguira, resolveu buscar a sua redenção egóica e histórica no suicídio. Enforcou-se.

Satanás continua atuante e estratégico. Pensar que ele não influencia, não se apodera das pessoas e mesmo que não exista é tudo o que o faz mais forte e eficaz. Cuidado!


Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para que possais estar firmes contra as astutas ciladas do diabo. Porque não temos que lutar contra a carne e o sangue, mas, sim, contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais. Efésios 6:11,12


Que Deus nos proteja em Seu Esconderijo! 
Aquele que habita no esconderijo do Altíssimo, à sombra do Onipotente descansará. Salmos 91:1
Que Ele não nos deixe cair em tentação!
E não nos conduzas à tentação; mas livra-nos do mal; porque teu é o reino, e o poder, e a glória, para sempre. Amém. Mateus 6.13
     Deus te abençoe!

quinta-feira, 26 de outubro de 2017

terça-feira, 5 de setembro de 2017

De Alma Limpa

No livro dos Salmos,  o salmista ora assim;

 "Sejam agradáveis as palavras da minha boca e a meditação do meu coração perante a tua face, Senhor, Rocha minha e Redentor meu!" Sl. 19.14

Linda oração, mas as emoções humanas não são nobres o tempo todo. Não são nobres e nem justas! Tempestades histéricas dentro de um ambiente tranquilo, falsas acusações, implicâncias gratuitas com alguém ou alguma coisa, mentiras, pré-julgamentos e invejas são sentimentos e atitudes que vemos o tempo todo; nos outros. Na maioria das vezes, nos assumimos como vítimas de tais posturas ou fomos impulsionados a elas por algo ou alguém. Sim, terceirizamos a culpa desde o Edén! Esta é apenas produto de algum tipo de manipulação muito injusta. A Palavra de Deus, no entanto, não valida tal interpretação, pois é preciso assumir a culpa com sinceridade.

"Também da soberba guarda o teu servo, para que se não assenhoreie de mim. Então serei sincero, e ficarei limpo de grande transgressão." Sl.19.13

Confessar nossa própria culpa diante de Deus é o nascimento de um caráter aprovado por Deus e suportável por nós mesmos.

"O temor do Senhor é limpo, e permanece eternamente; os juízos do Senhor são verdadeiros e justos juntamente" Sl. 19:9

A expressão "não sou perfeito" é  muito dita, porém a que melhor revela a natureza humana é:

"Todos se extraviaram, e juntamente se fizeram inúteis.
Não há quem faça o bem, não há nem um só" Rm. 3:11,12

Só enfrentando a nós mesmos diante de um espelho chamado Graça de Deus entenderemos o salmista:

Quem pode entender os seus erros? Expurga-me Tu dos que me são ocultos." Sl. 19.12.

Deus nos convida a passar pela restauração que Ele oferece em Cristo a todo aquele que se arrepende:

"Eu lhes digo que, da mesma forma, há alegria na presença dos anjos de Deus por um pecador que se arrepende" Lc.15.10

Ah! Ele se alegra com TODO pecador que se reconhece como tal, até mesmo aqueles que "têm anos de fé".



quarta-feira, 26 de julho de 2017

O Evangelho Como Resposta a Tempos Líquidos - PARTE 3


Há uma tendência cada vez maior entre os jovens em não conseguir entender o que seja fé. Para que nos façamos entender, analisaremos o versículo  da Carta aos Hebreus: 

"A fé é a garantia das coisas que se esperam, a prova das realidades que não se vêem."
                                                Hebreus 11:1 1 - Bíblia de Jerusalém
  
1. "A fé é a garantia das coisas que se esperam..."

Nenhum astrônomo viu o núcleo do planeta Júpiter, seja por telescópio, medidores de raios  X e infravermelhos, por sonda ou qualquer outro método. Contudo, o campo magnético e a sua enorme gravidade fazem com que eles tenham certeza que existe um núcleo  (do tamanho do planeta Terra, presumem) e que conseguirão observá-lo algum dia. Eles esperam isso acontecer, têm certeza na evolução tecnológica que propiciará seu desvendamento.

Assim é o "objeto" de nossa fé. Invisível, mas inteligível por seus efeitos em nós e por nós. Aquele que  tem fé arrisca explicar o cosmo (11.3), entende-se aceito, justificado e justiçado (11.4), espera e cria meios de salvação aqui nesse chão (11.7), percebe-se impulsionado a desinstalação e a constante realocação existencial sem com isso fragmentar sua identidade   (11.8;9). O fiel entende - se como gerador de vida e de bênçãos para o mundo (11.11, 12). Este ser que crê tem um relacionamento de amizade e encontro com o Sagrado (11.5).

Esperar é ter paciência e perseverança. A experiência na espera retroalimenta a fé, que vira esperança, e o ciclo continua (Rm 5.1-5).

A fé não é entendida como boas vibrações, otimismo ou asseverações empíricas ou místicas. Tem a ver com a garantia do que já tem experimentado; o poder de Deus que tem mostrado seus feitos e efeitos na sua história pessoal e,  uma expectativa que o culminar da história universal, será conforme tem-se, resolutamente, esperado. 

2. "A prova das realidades que não se vêem"

O ser humano atual, tende a pensar que este mundo perdeu o mistério por se achar detentor de toda a tecnologia, o saber desconstrutivista e  a psicologização completa da atividade humana. E, nada mais falacioso do isso! Há mistérios na alma humana, na sociedade, no bioma, no cosmos. Muito deles  insolúveis por várias gerações, ainda. 

Mesmo não conhecendo todas as leis da física quântica  (ou se há leis), isso não impede, por exemplo, que utilizemos  seus efeitos conhecidos numa tomografia computadorizada. Assim, também não conhecemos o que sejam as realidades espirituais completamente, mas tal não impede que confiemos em Deus, em Cristo e no Espírito Santo. Antes de qualquer postulação, hipótese ou teoria se mostrar real e comprovável, há um tempo em que são questionáveis pois, não são controláveis, repetíveis. E, deste modo, é entendida a fé; incontrolável, inexplicável e misteriosa. 

Contudo, aquele que tem fé, vê seus efeitos, é transformado e transforma a realidade a sua volta. Não abomina o desconhecido, o misterium, o inexplicável. Assume-o, vive-o, torna-o real, relacional, existencial. Crê em Deus, na Sua Mensagem e proposta existencial. Aposta sua vida, se joga nos braços Daquele que sempre o amou.

E a fé, discurso para acadêmicos, ideologia para revolucionários e entrave lógico para cientificismos desonestos, sempre será a vida do crente; daquele que entende que o "objeto" de sua fé se manifestará como realidade, se dará a conhecer. E que viverão juntos num eterno ágape.


sábado, 8 de julho de 2017

O Evangelho Como Resposta a Tempos Líquidos - PARTE 2


A fé  em Jesus transcende a dicotomia erro - acerto e aponta para além da existência. O ser humano se entende trilhando caminhos de infinitude e eternidade no chão material e inóspito da vida real.

Essa fé o ressignifica, o desafia e reencanta sua vida. Traz, inevitavelmente, confrontações com a desconstrução ideológica sistemática da (nomeada por seus críticos) metanarrativa cristã.

Eis o real problema! Essa desconstrução não é despropositada ou desinteressada. Há que se perguntar pelo fundamento da teoria crítica, da negação do cristianismo e o aceite de "novas" metanarrativas contrárias ao "velho status quo". Assim, antes de aprofundarmos a análise do "novo estado das coisas", importa saber:

O Evangelho é mistério que se dá também  na desconstrução do ser que já não se reconhece no stablishment. Torna-se o orientador ontológico confiável na sua realização pessoal e transformação do mundo.

Este ser tem agora um novo paradigma; sua fé em Cristo que torna-se visão, transformação pessoal e social. Encontra respostas existenciais que o apazigua e constrói pontes e significados pessoais;  aonde encontra a si mesmo, o outro e a Deus. Nasce a construção de um mundo de sentidos dos cacos existenciais desconexos de sua antiga vida.

O Evangelho tem penetração cognitiva profunda e atinge e fragmenta toda construção maléfica (segundo seus próprios termos). O homo religiosus redivivo não se identifica mais sem uma cosmogênese, sem uma religião, sem metanarrativas.

 O pensamento pós- moderno acusa tal reconstrução da identidade em Cristo de ideologia, superestrutura, engessamento do ser, fundamentalismo, extremismo, arrogância religiosa. É notório que, não obstante, tais críticos têm um destino formulado para este ser que se reinventa, se reconstrói a partir da fé; este deveria permanecer atomizado, sem identidade, "tabula rasa" para receber conteúdos "revolucionários", desinstaladores de qualquer autogoverno e disciplina cognitiva;  livre de "cosmovisões opressoras". Aqui se insere a ideologia do politicamente correto; uma metanarrativa improvisada até que o "novo" tome corpo.

Tal esforço da psicologia e filosofia em desconstruir o ser cristão ao longo do século XX através  dos estudos neomarxistas/neokantianos conseguiram sucessos enormes, principalmente no pensamento teológico e na "intelligentsia" cristã , mas dos fragmentos dessa implosão linguística, estão se formando anéis de acreção de onde um planeta/Reino de Deus será o novo berçário de Vida Espiritual. O homo religiosus fragmentado renascerá como construção espiritual incólume em um mundo renascido; talvez mesmo estrelas estejam sendo formadas desse disco de poeira cósmica solta no espaço, que gira e se aglutina em torno de um núcleo sólido que se chama fé.

"para que venham a tornar-se puros e irrepreensíveis, filhos de Deus inculpáveis no meio de uma geração corrompida e depravada, na qual vocês brilham como estrelas no universo," Filipenses 2.15



sexta-feira, 7 de julho de 2017

O Evangelho Como Resposta a Tempos Líquidos - PARTE 1


Em algum momento da vida, precisamos nos reciclar, nos reinventar como pessoas no mundo.

Nossas emoções, no entanto, nos fazem sentir de maneira distorcida e enganosa que precisamos reavaliar a vida, de repensar a existência, valores e prioridades. São tempos de balanços precipitados, de fechamentos deleteriamente autoimpostos  e aberturas existenciais desnecessárias.

A busca da  reinvenção do eu, esconde apenas o medo de sermos assertivos nas decisões e problemas do cotidiano. Deveríamos, simplesmente, ter investido melhor no que já temos a mão, valorizar o que conquistamos e temos a disposição.

Porém, a decisão de renovação do ser acertada, não se dá por sujeição a propaganda de determinado grupo midiático, da empresa aonde trabalhamos, da ideologia disfarçada de liberdade/igualdade/fraternidade (onipresente nos formadores de opinião). Surge da crise com os valores culturais, da paralisia cognitiva e cognoscente, da descrença dos símbolos aplaudidos  pela "new order". Da necessidade de romper com toda essa falsa homogeneidade.

E, levando eles os barcos para a terra, deixaram tudo e o seguiram. Lc 5.11

quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

Parte 2 - O Reino que se Faz ao Caminhar

 Série de mensagens sobre a transfiguração de Jesus:(Mateus 17:1-9, Marcos 9:2-8 e Lucas 9:28-36)

“... e os levou, em particular, a um alto monte. Ali ele foi transfigurado diante deles. ”
(Mt. 17.1b-2a)

Na religião, todo relevo tem um significado para a espiritualidade; montes, montanhas e vales.

Quem subia em um monte ou escalava uma montanha queria ficar mais perto de seus deuses. Vemos, curiosamente, a construção de uma torre em Genesis 11 para que os seres humanos ficassem no alto e assim fossem considerados deuses. Na história das monarquias de Israel é recorrente o povo subir até aos montes para realizar cultos e adoração a Baal, Ishtar e a baalins. A altura de um monte determinava o quanto mais próximo o fiel estava próximo de seu deus. Na religião judaica tal coisa também se dava; por exemplo, o encontro de Moisés com Deus no monte Sinai, Elias no monte Carmelo. Alguns montes se tornaram conhecidos como lugares de acertos de conta e tratados com a Divindade (monte das Oliveiras), monte Ebal (maldição) e Gerizim (benção). O monte do templo chamado de Monte Sião era conhecido como monte da adoração.

No Novo Testamento vemos Jesus subir aos montes para orar e fugir das multidões. Sobe aos montes para ensinar e aqui chama amigos próximos para mostrar a Sua glória a eles.
Ele os levou em particular. Levou-os sem alardes, nem anúncios prévios. Não tornou conhecido a todos os seus discípulos. Levou-os para que o conhecessem melhor. Jesus foi até o Monte Hermon e, é nesse monte pertencente as colinas de Golan, que nascia o rio Jordão e se demarcava os limites do reino davídico expandido e o mundo gentio. Nesse monte havia um altar ao deus romano Pan. Os romanos criam que ali havia uma fonte de Pan que era geradora e mantenedora da vida de seus rebanhos e povoados. Contudo, os romanos assentados naquela região eram célebres “ladrões de água” das cidades e vilarejos judaicos. Eles a desviavam através de aqueodutos ocultos e encanamentos secretos. Jesus não veio afrontar aos romanos, embora fosse muito significativo Ele vir até ali e se transfigurar.

Ele vem revelar a verdade. Ele não precisou quebrar nenhum altar pagão, ainda que como judeu era impensável que fosse tolerante a isso. Sua permanência na fronteira do Reino Davídico Expandido com a Síria, e em um lugar de culto romano, é profética. Jesus faz toda uma excursão por terras que não pertenciam ao reino de Israel em sua época, mas que pertenceram ou que são designadas nas profecias e nos livros históricos (II Sm. 8.1; Js. 13.4-5; Js. 11.8; Jz.3.3; Nm.34. 7-9; Ez.47.15) como terras que seriam de Israel.

Ele faz um tipo de marcha da conquista, empreende uma caminhada profética rememorando Abraão (Mc. 7.24, 31; 8.27; 9.2), tem seus escolhidos, sua missão de restauração e seu reino. Por fim, Ele coloca em xeque todo o aparato religioso romano, depõe Pan e seus adoradores. Depõe o reino e o domínio romano, simbolicamente. Ele é o Filho de Deus que era figura conhecida por romanos e judeus em suas religiões, cada uma com sua concepção particular e complementares, porém.

O monte Hermon foi escolhido porque Cristo veio anunciar o Seu Reino, reafirmar o Seu domínio sobre toda a Criação e demarcar simbolicamente um novo tempo de conquistas.

Jesus exercia seus ensinos e discipulado enquanto andava e se relacionava com seus discípulos. Seu ministério era chamado de peripatético porque era feito enquanto andava e vivia a vida comum, conforme os grandes filósofos antigos como Sócrates e Platão.

Assim, aqui no texto, vemos que Ele determinou um tempo; Ele está ali e Ele É. Determinou um lugar no meio dos seus discípulos; Ele escolheu os mais próximos para estar e pertencer a eles como Nova Revelação de Deus. Determinou um meio de se tornar conhecido; pela fé e por testemunho das profecias de Elias e as leis de Moisés.

 Mas, isso tudo, continua sendo um convite do Mestre, continua sendo um estar próximo Dele. Continua sendo um mysterium tremendum et fascinorum.